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Conseguir conquistar os clientes pela vitrine é uma tarefa muito difícil. Para começar, o comprador deve ter seu olhar atraído automaticamente pelas cores  e luzes do local. Segundo, deve sentir alguma conexão com o que está sendo exibido sejam roupas ou informações turísticas. Terceiro e não menos importante, devem existir sinais de forma explícita ou não que “forcem” o cliente a entrar na loja. É esquisito pensarmos que tudo isso é usado para nos conquistar na hora do consumo. Mas técnicas para incentivar a compra dependem de para quem a loja é direcionada.

No comércio popular brasileiro por exemplo, são contratados vendedores carismáticos e falantes que ficam na porta das lojas tentando convencer o cliente a entrar. São “vitrines ativas” que chamam a atenção de forma indiscreta e desconfortável. Outras lojas atraem apenas com os produtos exibidos nas vitrines. Hoje, estas lojas cujo atrativo são apenas as vitrines, cada vez mais se utilizam da tecnologia para despertar o interesse dos pedestres.

Lojas que investem em inovações tecnológicas estão cada vez mais comuns. Com os brilhos e movimentos proporcionados pelos aparatos tecnológicos, rapidamente nos vemos hipnotizados. Mas isso pode trazer consequências negativas, como  a novidade acabar se tornando a atração principal em vez dos produtos. Apesar do risco, muitos investem nesse tipo de exibição. Um exemplo seria o escritório de informações turísticas La vitrine em Montreal, Canadá.

A vitrine é obra do designer interativo Steven Bulhoes em parceria com a Moment Factory e Photonic Dreams. Apesar de não revelar exatamente a técnica usada para formar sua obra, sabe-se que foram usados sensores, câmeras, leds e controladores. Neste caso, podemos dizer que os sensores de vídeo captam os movimentos do pedestre diante da tela, além da distância da qual ele se encontra, para desta forma produzir as luzes que o acompanham.

Esta tecnologia foi usada com sabedoria para atrair não só o turista como todos os pedestres que passam por lá. Por ser um local de informações culturais da cidade, é criativo ter algo na porta que chame bastante atenção, principalmente a noite. Desta forma, fica fácil um turista se achar e fica atraente aos olhos do morador de Montreal que resolve entrar e acaba ganhando o conhecimento do que está acontecendo na cidade.

Apesar de ser encantador ficar brincando com a vitrine, é questionável sua utilidade para todos os tipos de loja. Este escritório de informações turísticas, por exemplo, precisa de algo que chame a atenção de qualquer um que passe pela rua, pois ele pode estar precisando de ajuda. Em compensação, os turistas devem ter certeza de que aquilo é um centro de informações e não a boate do bairro. Quando o painel de LEDs mostra letras, ele está certo em formar palavras que tem haver com a cultura, assim, o pedestre tem certeza que ali é um local destinado à informação. Outro problema que achei tem relação com a funcionalidade reduzida de dia. Todas as fotos e vídeos que encontrei sobre o “La vitrine” foram feitos no escuro, quando o projeto ficava impressionantemente chamativo. De manhã, provavelmente o painel não fica ligado, ou não chama atenção. Os turistas talvez nem percebam que aquele é um ponto de informações com a luz do sol incidente nos LEDs. Para manter o projeto funcionando de dia, o ideal seria manter o painel na sombra, criando um toldo inclinado para a luz não interferir de forma significativa no projeto.

A interatividade com a vitrine está ficando bastante popular. A novidade atrai todos os dias vários lojistas que tentam deixar seus ambientes de trabalho mais lucrativos ao investir em novidades. No Rio não existem tantas vitrines assim, mas seria bem agradável poder vê-las mais vezes.

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Desta vez resolvi praticar o inglês. Li o artigo escrito por Marc Weiser intitulado “The world is not a desktop“, traduzindo para o português, algo como “O mundo não é uma área de trabalho”. O conteúdo deste texto pode ser resumido na afirmação do escritor que o melhor tipo de tecnologia é aquela que não percebemos. Eu não tenho em que discordar.

Muitas pessoas tem aversão à tecnologia. Hoje, os que tem mais intimidade com as inovações são os jovens. Tudo que é novo parece ser voltado para eles. Os controles da televisão ganham mais botões, os computadores estão cada vez com mais acessórios e os celulares com mais funções. Esta quantidade de informação entra com bastante facilidade na cabeça dos mais jovens, já que suas mentes ainda são esponjas com muito espaço para ser preenchido. Em relação aos mais velhos, não se pode dizer o mesmo. Por normalmente não possuírem mais um cérebro tão absorvente, acabam perdendo o interesse pela tecnologia. Desta forma muitos podem acabar sendo considerados antiquados, principalmente para conseguir um emprego.

Para evitar o estranhamento “Homem X Máquina” Marc Weiser sugere que o computador não tenha a cara do homem; Muito menos deve ser acrescido de mais botões. O computador tem que ficar escondido de tal forma que tenhamos que nos esforçar para lembrar que ele está presente. Devemos nos utilizar de suas maravilhas de modo automático, assim como mexemos os membros sem pensar no que estamos fazendo. O foco tem que ser NO QUE estamos fazendo, e não COMO. Um bom exemplo deste tipo de interação seria do jogador e do videogame. Os controles se tornam imperceptíveis quando o jogador experiente se vê dentro do mundo digital e passa a acionar os comando do automaticamente.

 

A Revista Super interessante publicou na edição de dezembro de 2002 uma matéria sobre o computador invisível. Ao ler o que foi escrito, podemos encontrar previsões que já se realizaram e outras que ainda estão por vir. Em geral, o artigo mostra formas de como o mundo pode ser no futuro e de como se dará nossa interação com os computadores.

Super Interessante

Sabendo das inovações e o rumo que a tecnologia está tomando, podemos questionar o que é o futuro. Será que seremos cercados por robôs de forma humana, que nos substituirão? Será que o mundo digital ficará restrito a uma tela ou meio físico? Quem sabe, os homens se tornem meio máquina para melhorar imperfeições físicas e até mesmo mentais. O futuro é incerto. Mas é idealizando que trazemos o futuro.

Fechar os olhos e sentir o vento. Cheirar aquele perfume que um dia marcou a infância. Passar a língua por um doce já esquecido. Ouvir a música mais inspiradora de uma banda antiga. Finalmente abrir os olhos e ser levemente ofuscado pela meia luz do por do sol. Tudo isso sentada em baixo de uma árvore plantada no topo de uma colina.

Ter a oportunidade de vivenciar um momento deste te faz pensar. Faz pensar no sentido da vida, de onde viemos, para onde vamos e qual nossa missão por aqui. Por muitos anos o homem procurou tais respostas. Uns acharam na religião, outros na ciência. Ainda existem aqueles mais “diferentes” que acharam a resposta na arte. Acho que estou seguindo por este último caminho.

Muitas pessoas não entendem quando eu digo que já chorei ao ver uma escultura. Mas foi algo que me deixou mexida, pois nunca presenciei uma obra tão bonita. Foi uma escultura de Gian Lorenzo Bernini, chamada “Rapto de Proserpina”.

A escultura é tão detalhada que é possível ver a força com que Ades aperta Proserpina.

Ao ver a escultura, em especial este detalhe, me debulhei em lágrimas. Em pouco tempo juntou gente em volta para perguntar se eu estava me sentindo bem (detalhe: em italiano). Entre soluços, disse em uma lingua indecifrável que era apenas a escultura. Não sei se feliz, ou infelizmente, alguém me entendeu e explicou para os outros o motivo do chororô. No mesmo instante, as pessoas se afastaram, umas até sairam rindo.

Concordo que talvez a minha reação tenha sido exagerada. SÓ talvez…

Em cada um, as emoções se manifestam de maneiras diferente. Normalmente, os sintomas são arrepios pelo corpo, boca seca e os olhos lacrimejando (ou no meu caso, alagando). Esse tipo de reação é o que a arte e o design deveriam arrancar do homem: sentimentos  duradouros, que ele gostaria de contar para os netos. A transcendência é o que o artista procura. Sua obra deve emocionar tanto alguém do presente, quanto uma pessoa que viva 200 ou mais anos depois. O designer deve proporcionar a seu projeto uma usabilidade futura, prevendo e observando as necessidades de seu público alvo.

Os cinco sentidos nos ajudam a perceber o mundo. São eles que determinam o que nos trará boas ou más lembranças. Por exemplo, uma pessoa que desde pequena viveu em um meio musical, provavelmente se emocionará ao ouvir uma música de seus tempos de criança. Mas o processo pode acontecer de maneira diferente. A pessoa que nunca escutou, ou que nunca viu, pode sentir uma emoção extrema ao ter estes sentidos pela primeira vez.

O designer tem como papel, além de agradar pessoas comuns, fazer com que deficientes físicos se sintam incluidos. Por exemplo, um objeto pode ser tão bonito para os olhos quanto para o tato. Deve-se pensar que muitos tipos de pessoa vão querer comprar sua obra, mas projetar pensando em todos, se torna muito difícil. Para evitar dificuldades no projeto, normalmente é selecionado apenas um público alvo para qual o produto final é focado. Neste caso, o planejador deve pensar com a cabeça de seu cliente e saber as vantagens e desvantagens de se fazer algo para ele.

Os 5 sentidos e o design sempre estiveram ligados, afinal, se os homens não tivessem consciência de seus sentidos, o design não existiria.