Fechar os olhos e sentir o vento. Cheirar aquele perfume que um dia marcou a infância. Passar a língua por um doce já esquecido. Ouvir a música mais inspiradora de uma banda antiga. Finalmente abrir os olhos e ser levemente ofuscado pela meia luz do por do sol. Tudo isso sentada em baixo de uma árvore plantada no topo de uma colina.

Ter a oportunidade de vivenciar um momento deste te faz pensar. Faz pensar no sentido da vida, de onde viemos, para onde vamos e qual nossa missão por aqui. Por muitos anos o homem procurou tais respostas. Uns acharam na religião, outros na ciência. Ainda existem aqueles mais “diferentes” que acharam a resposta na arte. Acho que estou seguindo por este último caminho.

Muitas pessoas não entendem quando eu digo que já chorei ao ver uma escultura. Mas foi algo que me deixou mexida, pois nunca presenciei uma obra tão bonita. Foi uma escultura de Gian Lorenzo Bernini, chamada “Rapto de Proserpina”.

A escultura é tão detalhada que é possível ver a força com que Ades aperta Proserpina.

Ao ver a escultura, em especial este detalhe, me debulhei em lágrimas. Em pouco tempo juntou gente em volta para perguntar se eu estava me sentindo bem (detalhe: em italiano). Entre soluços, disse em uma lingua indecifrável que era apenas a escultura. Não sei se feliz, ou infelizmente, alguém me entendeu e explicou para os outros o motivo do chororô. No mesmo instante, as pessoas se afastaram, umas até sairam rindo.

Concordo que talvez a minha reação tenha sido exagerada. SÓ talvez…

Em cada um, as emoções se manifestam de maneiras diferente. Normalmente, os sintomas são arrepios pelo corpo, boca seca e os olhos lacrimejando (ou no meu caso, alagando). Esse tipo de reação é o que a arte e o design deveriam arrancar do homem: sentimentos  duradouros, que ele gostaria de contar para os netos. A transcendência é o que o artista procura. Sua obra deve emocionar tanto alguém do presente, quanto uma pessoa que viva 200 ou mais anos depois. O designer deve proporcionar a seu projeto uma usabilidade futura, prevendo e observando as necessidades de seu público alvo.

Os cinco sentidos nos ajudam a perceber o mundo. São eles que determinam o que nos trará boas ou más lembranças. Por exemplo, uma pessoa que desde pequena viveu em um meio musical, provavelmente se emocionará ao ouvir uma música de seus tempos de criança. Mas o processo pode acontecer de maneira diferente. A pessoa que nunca escutou, ou que nunca viu, pode sentir uma emoção extrema ao ter estes sentidos pela primeira vez.

O designer tem como papel, além de agradar pessoas comuns, fazer com que deficientes físicos se sintam incluidos. Por exemplo, um objeto pode ser tão bonito para os olhos quanto para o tato. Deve-se pensar que muitos tipos de pessoa vão querer comprar sua obra, mas projetar pensando em todos, se torna muito difícil. Para evitar dificuldades no projeto, normalmente é selecionado apenas um público alvo para qual o produto final é focado. Neste caso, o planejador deve pensar com a cabeça de seu cliente e saber as vantagens e desvantagens de se fazer algo para ele.

Os 5 sentidos e o design sempre estiveram ligados, afinal, se os homens não tivessem consciência de seus sentidos, o design não existiria.

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